• Ricky Duraes

COMISSÃO JÁ VALIDOU 290 TESTEMUNHOS DE ABUSOS SEXUAIS NA IGREJA CATÓLICA

A comissão independente que estuda abusos sexuais na igreja portuguesa já reconheceu 290 casos. Os dados foram revelados pela Comissão Independente para o estudo de abusos sexuais na Igreja Católica. Uma das vítimas nasceu em 2009.


A Comissão Independente para o estudo de abusos sexuais na Igreja Católica portuguesa revelou, esta terça-feira, que já validou 290 testemunhos de abusos de menores. Em conferência de imprensa, a comissão adianta que “alguns foram entregues em mão” ao Ministério Público.


O coordenador da Comissão Independente, Pedro Strecht, sublinha a importância de “manter a relação aberta e de confiança mútua” com a Conferência Episcopal Portuguesa e com “todos os elementos da Igreja Católica em Portugal”.


O responsável sublinha que todos os casos de abuso de menores estão “a ser analisados individualmente para triar situações de crimes não prescritos ou de risco de continuidade dos mesmos, em articulação com o Ministério Público”.


“Está, também, a ser realizado o levantamento de todos os casos eventualmente reportados à comunicação social desde 1950 até aos dias de hoje, que até agora já revelou situações importantes”, explicou.


Presente na mesma conferência de imprensa, a socióloga da Comissão Independente, Ana Nunes de Almeida, especificou que a maioria das vítimas é do sexo masculino e são de “todos os níveis de instrução”, desde a “antiga instrução primária até ao doutoramento”.


“Estão representadas todas as regiões do país, todos os grupos etários desde uma vítima nascida em 2009 a uma vítima nascida em 1934”, revelou, acrescentando que “as idades em que aconteceu o primeiro abuso sexual variam entre os 2 anos e os 17 anos”.


A socióloga revelou ainda que foram enviados pedidos de entrevista aos 21 bispos portugueses e 12 aceitaram reunir-se com os especialistas da comissão.


Num balanço dos primeiros três meses de trabalho, feito hoje numa conferência de imprensa na Fundação Calouste Gunlbenkian, em Lisboa, o antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio, que integra a Comissão, precisou que entre os 290 testemunhos validados, 16 ainda não prescreveram e, por isso, foram remetidos ao Ministério Público.


Sublinhe-se que foi anunciado, em janeiro, que uma comissão iria começar a investigar os casos de abusos sexuais na Igreja Católica ocorridos desde 1950.

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